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Axel Capone

Com os primeiros ventos, vi o nascimento do universo, sobrevivi aos tempos, eu vivo a humanidade.

sexta-feira, julho 28, 2006

Espíritos embalsamados


Múmias

Armazenados durante séculos
A espera da metamorfose da vida
Será borboleta ou lagarto
Uma noite de incertezas

Os homens já não acreditam
Em nós

Fazem-nos caretas
Sairá o palhaço da caixa de presentes

1 sino, 2sinos, 3sinos,...

5 sinos, 6sinos

e demais!

Quem poderá profetizar
O que Nzambi reserva para nós?

Por que os homens já não
Acreditam em nós.

Axel Capon 2003

sábado, julho 15, 2006

O mesmo espirito


Sou eu mesmo

O mesmo homem, de varias faces
O mesmo espirito, a imagem de Deus

Sujo, meus cabelos encaracolados
Sentado a beira da estrada

Sou eu que vês na multidão

Na rádio escutas a minha voz
Gostas da minha poesia

No mercado por calúnia, acusaste-me ladrão
A porta da igreja dás-me a mão chamas-me irmão

O seu novo amigo rico
Que contentas com sorrisos hipócritas

São meus os gritos que escutas no estádio
São meus os sinais que encontras na rua
Todos os dias vejo-te por ai
Atropelamo-nos nas esquinas, pedes-me desculpa

Somos nós homens
De várias formas
O mesmo espirito.

Axel Capon 2004

quinta-feira, julho 13, 2006

Vale da Morte

Luanda Fantasma

A todos os aqueles que vivem do outro lado da linha em Luanda, que vivem a Luanda profunda (underground life), a todos meus irmãos e irmãs do S.Paulo, Marçal, B.O., Kinaxixi, Mutamba, Chical 2, ilha de Luanda, Asa branca (Cazenga), Hoji-ya-henda, Morro Bento, Martíris do kifangondo, a todos aquele que perderam as suas vidas em campos de batalha (rest in peace), a todos aqueles que beijam a morte e sorriem na sua face (thung live), a todos aqueles que não viram o eco (fantasmas que desafiaram a morte). Dedico estes versos.


Vale da Morte

No vale da morte
corpos sem rostos
clamam e chamam enganosamente
almas da noite.
Os homens acorrentam-se com prazer
por um segundo compram prazer
tudo mecânico.
O silêncio do espírito
e perturbado por falsos elogios
querendo nos roubar a alma
com palavras hipócritas.
O mal vai lhes devorando a cada tempo
deixando nos versos das suas vidas
um buraco negro maior que o universo.
Bem longínquo nas estrelas
os anjos dormem ninguém nas janelas.
Que nem um sonâmbula o corpo possuído
caminha para a morte
com passos rápidos entre as pedras amaldiçoadas.


Axel capon
2001

quarta-feira, julho 05, 2006

Quem es tu?

Em cada canto da cidade
encontro
mascaras, carapaças e capas
procuro o homem do espírito
e difícil
não quero encontrar
personalidades mecanizadas
quero conhecer aquela
alma amaldiçoada
meus pecados
o homem além da forma
o que restou do anjo
o que o mundo mudou
quem roubo aquela inocência?

Entro pelos seus olhos
desço enumeras escadarias
penetro grandes galerias
vejo ele
atrás de panos brancos
será este o seu ser?
Será este o infinito?
quem és tu?

E lá vou eu, outra vez
cada homem, um Deus
ele voa em seu universo
ai no oculto ele é tudo
por fora apenas um homem
de mãos acorrentadas
arrastando-se por esses caminhos
iluminados por sinais e mais sinais

E passados 6 anos ele é o mesmo
as mesmas festas, os mesmos homens
as mesmas mascaras, carapaças e capas

Axel Capon/Agosto 2004
Sem qualquer tipo de formação literária, nem mesmo fazer uso de rimas e métrica as vezes atrevo-me a escrever estas poesias que não são mais do que uma forma de eternizar o meu estado da alma do momento, é isto ai, a minha poesia é essencialmente lírica, retratam instantes emocionais do meu ser quando me sinto perdido por estes becos de Luanda.